17/07/2017
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Diferentes caminhos para se tornar um gestor jurídico

Essa semana a Intelijur está promovendo a seguinte discussão: o que seria necessário para ser um gestor jurídico bem sucedido? A partir dessa proposta, estamos circulando a pesquisa Maiores Desafios dos gerentes jurídicos no Brasil, além de publicar o resultado da pesquisa Principais habilidades e competências para um gestor jurídico. No entanto, esse assunto já foi explorado outras vezes pelo FDJUR e pela GEJUR, e com um olhar mais atento, existem algumas orientações comuns dentro da área jurídica para quem quer subir, independente do negócio da empresa.
 
Embora em cada empresa exista habilidades diferentes necessárias para a condução de um departamento jurídico, também existe uma série de sobreposições que valem ser destacadas. Cada combinação dos itens abaixo pode ser considerado um diferente caminho para cima dentro da área legal.
 
Tenha cuidado com o que deseja. É preciso estar mais do que apenas interessado no trabalho como gestor, pois o compromisso que a função exige tem um preço que frequentemente vai além da vida profissional, entrando na pessoal às vezes quando se menos espera. Se o chefe parece ótimo, mas deve-se considerar todos os aspectos, especialmente os piores: é um trabalho dificilmente fácil e envolve longas horas e muita pressão. É preciso tomar decisões importantes em pouco tempo e com fatos escassos, com uma agenda cinculada ao CEO, o CFO e o conselho de administração, o que significa muitas noites, fins de semana e feriados investidos trabalhando.
 
Entre na lista de candidatos. Se está interessado em ser um gestor jurídico é preciso que as pessoas certas saibam. Será preciso progredir com trabalho árduo e um pouco de auto-promoção. Não pise em ninguém no seu caminho até o topo, mas mostre que está seguindo nesta direção. Se realmente gosta de trabalhar e pensa que gostaria de se sentar na cadeira de gerente um dia, informe o seu atual gerente. Procure comentários honestos sobre seu desempenho e quais as coisas que você precisa fazer para fazer o plano de sucessão em algum momento (e qualquer empresa tem um plano de sucessão para as posições de gerente, como nomes de quem está pronto no momento e os que em breve estarão. Leve sua análise anual a sério e use a oportunidade de entrar nessas reuniões com um plano para discutir seu interesse no trabalho e destacar suas habilidades e realizações. A auto-seleção não o leva automaticamente à lista, mas faz com que se seja percebido e considerado. Da mesma forma, se não tem certeza de ficar com seu empregador atual ou talvez você tenha dito que suas chances de fazer o plano de sucessão são baixas, é possível entrar em contato com empresas de recrutamento legal. Certifique-se de usar seu email pessoal e detalhes de contato pessoal com as empresas de recrutamento e juntar um olhar profissional, sem erros, no currículo. Uma página profissional no LinkedIn pode ajudar bastante, mas também certifique-se que suas postagens e o perfil de suas redes sociais são apropriados para alguém que procura o melhor trabalho legal. de mídia social são apropriados para alguém que procura o melhor trabalho legal.
 
Torne-se o "Dr. Sim". Uma piada antiga do mundo corporativo era a de que o departamento jurídico era chamado de, o "departamento do não". Antiga ou não, o fato de que alguém pensa no departamento jurídico como um obstáculo para fazer as coisas é muito ruim e já deixou vezes demais o jurídico de fora em importantes processos de decisão. O melhor caminho nesse sentido é cavar fundo para descobrir e considerar os objetivos do negócio e se o que é proposto funciona ou não. Caso contrário, traga uma solução (por exemplo, "existem alguns problemas com o que foi proposto, mas existe uma outra forma de se conseguir a mesma coisa"). Os profissionais dos outros departamentos se lembram mais dos advogados que resolvem os problemas do que os que simplesmente os apontam.
 
Aprenda o negócio da empresa. Parece bastante básico (e é), mas é surpreendente como muitos advogados não lêem o que não diz respeito diretamente à área legal, nem prestam atenção às iniciativas estratégicas, ou mesmo conhecem os nomes dos principais clientes da empresa. É difícil ser eficaz e estratégico, a menos que você comece a entender o negócio da sua empresa e a dinâmica competitiva que enfrenta no mercado. Aqui estão alguns dos conceitos básicos:
  • Conheça os produtos e serviços da sua empresa;
  • Saiba quem são os clientes;
  • Saiba quem são os concorrentes (incluindo pontos fortes e fracos);
  • Conheça os atuais objetivos comerciais da sua empresa
Compreender os planos estratégicos da empresa (curto prazo e longo prazo);
  • Mantenha-se ao topo das tendências que podem afetar sua empresa;
  • Inscreva-se para várias publicações da indústria e blogs relevantes;
  • Acompanhe como sua empresa é percebida nas mídias sociais.
Se não tem certeza de como fazer nada disso, comece por perguntar ao seu gerente ou até mesmo melhorar os relacionamentos no negócio com pessoas que podem ajudá-lo a entender esses problemas. Eles estarão agradecidos pelo fato de um advogado tomar tempo para entender como o negócio funciona.
 
Pense estrategicamente. Uma coisa importante que seus parceiros de negócios estão procurando é um advogado que pode pense estrategicamente, mais do que apenas nas questões legais imediatas. Uma idéia é construir um "mapa de riscos" para se conhecer os lugares onde a empresa opera, os principais riscos de cada segmento (internamente e externamente), e como monitorar esses riscos e agir num caso de emergência. Isso não precisa ser muito mais complicado do que simplesmente acompanhar as notícias e as publicações relevantes da indústria. Por exemplo, os problemas de troca de moeda na Venezuela podem parecer remotos para você, mas causam inúmeros problemas para as empresas estrangeiras que fazem negócios lá. Um advogado estratégico está analisando o problema de múltiplos pontos de vantagem e já está pensando sobre o que o problema da moeda poderia significar para a sua empresa (e não apenas questões legais), que as partes externas podem ser úteis ou prejudiciais se isso for um problema, quem no negócio precisa saber, etc. A razão pela qual isso é tão importante é porque o que o negócio quer em última análise é tanto tempo quanto possível para considerar e se adaptar às mudanças (legais ou não) que podem afetar o negócio.
 
Construa uma presença executiva. Para chamar a atenção tanto do gerente jurídico quanto de outros executivos da empresa, a primeira coisa a lembrar é que toda interação, reunião ou conversa com um vice-presidente ou superior é uma audição para uma promoção. Eles vão se lembrar de quem ficaram bem impressionados e menos de quem se destaca pelo humor, por exemplo. Certifique-se de ser percebido como "material executivo" na forma como lida com o negócio. Uma grande parte disso envolverá apresentar questões legais complexas e colocá-las em um contexto que os não advogados podem entender, pesando boas perguntas e fazendo pontos sólidos com observações apropriadas. É bom ser confiante, mas sem passar do limite e ser visto como arrogante. Portanto, se não sabe uma resposta, não finja que sabe, basta admitir o desconhecimento e se comprometer a obter a resposta rapidamente. Se quer ser um gestor jurídico, comece a atuar, falar e se vestir como um agora.
 
Melhore suas habilidades legais e credenciais. Na sua percepção, ser presidente da seção de Direito do trabalho da associação de bares local não é muito significativo, mas para não necessariamente para não-advogados, por exemplo, um chefe de RH. O objetivo aqui é sempre procurar maneiras de aprimorar suas habilidades e credenciais legais porque significarão algo quando subir para gestor jurídico. Procure áreas que realmente esteja interessado em aprimorar ou desenvolver uma habilidade, ou que são importantes para a empresa (por exemplo, programas de Compliance). Junte-se e fique ativo nas principais organizações legais, como um comitê ou associação que se destaque no mercado, e escreva artigos seguindo uma área de especialização que o(a) coloque em destaque nessa organização (governança corporativa, gerenciamento de riscos, regulamentação e investigações, etc. Se não tiver um espaço para publicação, comece um blog e torne-se uma autoridade sobre esses tipos de problemas. Não é necessários escrever tratados sobre o assunto, mas ter uma credencial assim pode mostrar empenho.
 
Melhore suas habilidades e credenciais não-legais. A maneira de ser o candidato mais atraente é ser capaz de demonstrar importantes habilidades não legais:
  • Julgamento, incluindo ética e integridade;
  • Orçamento e previsão legais;
  • Perspicácia empresarial e financeira (por exemplo, compreenda balanços patrimoniais, demonstrações de ganhos e perdas e fluxo de caixa. Considere obter um MBA.
  • Uso jurídico estratégico para promover interesses comerciais (por exemplo, problemas de propriedade intelectual);
  • Pensar "fora da caixa";
  • Capacidade de detectar riscos e agir antes de se tornarem problemas
  • Capacidade de efetivamente fazer uma triagem de riscos, pensando em múltiplos pontos de dados e resultados
  • Pensar globalmente com uma compreensão cultural dos segmentos;
  • Conforto e confiança com novas tecnologias e ferramentas.
É uma lista longa com certeza e há muitas outras coisas que poderiam ter sido listadas. A lição importante aqui é buscar projetos e situações que lhe permitam desenvolver e demonstrar essas habilidades.
 
Procure projetos complicados que tenham exposição à gerência sênior. Existe certa preocupação em desenvolver habilidades de gerenciamento em departamentos jurídicos enxutos e com limitadíssimas chances de promoção. Um caminho é procurar problemas "contraditórios" que cada empresa possui e encontrar formas de resolvê-los. Talvez se possa pedir a oportunidade de ser o responsável legal em determinadas ações e projetos ou, ainda melhor, pedir a liderança de equipe em projetos que não sejam exclusivamente jurídicos. Esses tipos de projetos geralmente são de alto perfil e podem dar uma experiência real na gestão e motivação de pessoas, trabalho e parceria em vários grupos empresariais e de pessoal, lidando com prazos e pressão, preparando relatórios e apresentações para líderes empresariais, e exposição à alta administração. Os advogados que se voluntariam e trabalham fora de sua zona de conforto são notados.
 
Reconheça a dinâmica de poder no departamento jurídico e na empresa. Todo departamento jurídico e todos os negócios possuem uma política e uma dinâmica de poder particulares; alguns nem tanto ruins, outros realmente ruins. Se quiser chegar ao melhor trabalho, é preciso "ler a sala" e aprender a entender o que motiva algumas pessoas, o que as impulsiona, quais são seus objetivos. Ajuda começando ser um bom colega no departamento jurídico. Em seguida, faça amizades e desenvolva relacionamentos positivos fora do departamento jurídico, especialmente com pessoas que provavelmente irão subir a cadeia ao mesmo tempo que você, ou seja, um dia, os analistas de 28 anos serão os executivos de 48 anos. Mais importante, trabalhe para ser neutro e transparente no que faz.
 
Se quer ser um gestor jurídico, talvez precise ser realista sobre suas chances em sua empresa atual. Você provavelmente não é a única pessoa no departamento a pensar assim, e concorrências costumam ajudar a manter a evolução. Infelizmente, as empresas muitas vezes ignoram o talento em sua própria organização e preferem uma contratação de alguém de fora que tenha a acrescentar ao capital humano presente. Portanto, certifique-se de promover toda a gama de suas habilidades para o seu gerente, mas saiba que no final você é responsável pela sua carreira e pela busca de oportunidades. Ninguém é "descoberto" nesse mercado, e às vezes pode ser preciso sair para subir. Não há nada de errado com isso. Entre no radar de recrutadores legais em sua área. Tudo o que eles precisam é um bom currículo e saber que está interessado em ouvir deles se surgirem oportunidades. Isso não significa que deixará sua posição atual, mas mantém suas opções abertas. Se está certo de que é isso que deseja, agora é a hora de começar a criar seu plano para chegar até o topo.