05/03/2018
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ENTREVISTA: Martim Della Valle, da AB InBev, fala de suas percepções sobre Compliance no Brasil e no mundo

Por Galeria de Comunicações

A redação da InteliJur preparou uma série de entrevistas com os participantes do evento “Dilemas e Perspectivas do Compliance” que acontece no próximo dia 13 de março na capital paulista e reunirá os melhores profissionais da atualidade. Entre tantos nomes de peso para o dia de imersão, o evento reúne desde o Procurador da República Coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol até Martim Della Valle que vive na Bélgica e depois de ter sido diretor jurídico da AmBev por seis anos, foi o responsável pelo upgrade do departamento da operação global de Compliance da AB InBev, considerada hoje uma das maiores empresas de bens de consumo do mundo. A seguir ele, que está no topo do mundo do Compliance, nos conta um pouco sobre percepções, trajetória e o momento atual do Compliance no Brasil e no mundo.

Conheça outros palestrantes do evento: 
 




InteliJur - Como o Compliance pode ser um importante balizador das boas relações entre governos e empresas e levar ao crescimento empresarial e, consequentemente, ao desenvolvimento econômico do país?

Cumprir a lei é condição essencial para um ambiente de negócios saudáveis. Em primeiro lugar, para que todos possam concorrer em igualdade de condições, na qualidade e no preço. Essa competição no mérito é o que impulsiona a inovação, a produtividade e faz os preços caírem para os consumidores. Quando um dos concorrentes se vale de expedientes ilegais (seja para pagar menos impostos, seja para não respeitar qualquer requerimento legal) ele passa a ter uma vantagem indevida que causará prejuízos aos demais concorrentes e, acima de tudo, ao consumidor. O compliance visa justamente evitar esse tipo de comportamento, sem que seja necessária a intervenção estatal (polícia, fiscalização, Ministério Público, etc). São às empresas buscando fazer o certo. Nesse aspecto o compliance alinha-se com o interesse da empresa, mas também com o interesse público. Ao propiciar um ambiente de negócios saudáveis a atividade de compliance é um vetor do desenvolvimento econômico de um país.

 
InteliJur - Quais foram os seus principais desafios para implementar um projeto em uma operação tão complexa?

A pedra angular de um programa de compliance é conhecer bem a operação da empresa para mapear seus riscos (sempre variam muito de empresa para empresa). Uma vez mapeados os riscos o desafio passa a ser desenhar quais atividades são capazes de eliminar, ou minimizar os riscos e monitorar sua ocorrência de modo objetivo. No meu caso, um grande desafio foi conhecer bem as operações da empresa nos diversos países. Isso leva tempo e me fez viajar muito (preenchi três passaportes com carimbos em poucos anos). Outro foi criar métricas que pudessem garantir uma execução uniforme do programa em países muito diferentes entre si.

 
InteliJur - Em um artigo, você disse que o profissional que busca popularidade não deve investir na carreira de Compliance. Mas como é para você ser um brasileiro de referência mundial no Compliance? O que você ouve dos empresários no mundo a respeito do momento que o Brasil vive hoje? Como está a nossa credibilidade? Quais serão os nossos principais desafios atuais e futuros?

Não acho que eu seja uma referência mundial. Ha muitos profissionais de primeiro nível na área, tanto no exterior quanto no Brasil. Sou mais um querendo ajudar meus colegas a tomar as decisões corretas, o que me dá muita satisfação pessoal. Acho que ser brasileiro em geral ajuda. Quanto ao Brasil há dois aspectos principais: o negativo, de que ainda existem problemas sérios de compliance sendo descobertos; e o positivo de que os comportamentos ilegais têm sido encontrados e punidos. Pode-se enxergar o copo meio cheio ou meio vazio. Tenho ouvido muitos elogios a como o Brasil tem abraçado a agenda de compliance.   
 
 
InteliJur - Quais são os reflexos da Operação Lava-Jato nos negócios entre as empresas brasileiras com o exterior? Por outro lado, em que medida o boom de corrupção desvendado pela Operação pode ter contribuído para o compliance brasileiro? As empresas estão mais propensas a implementar o programa?

Eu não tenho envolvimento profissional com a Lava Jato, de modo que essa é uma visao com uma certa distância. A percepção geral parece-me de que o Brasil tem se esforçado para punir a corrupção de grande escala. Tenho visto uma aceleração da legislação nacional em matéria de compliance (que já vem de alguns anos, mas agora já existem diversos casos de obrigatoriedade de programas de compliance). Também vejo uma preocupação muito maior das empresas em ter um bom departamento de compliance. Teremos a formação de ótimas gerações de profissionais de compliance. No longo prazo, departamentos de compliance forte serão uma vantagem competitiva para as empresas brasileiras. O principal é ter vontade de fazer o certo, bom-senso e trabalhar duro. O resto todo se arruma.  
 


Martim Della Valle - Atuou como Legal Director na AmBev entre 2005 e 2011 e atualmente é Global Head of Compliance (Chief Compliance Officer), Global Head of Antitrust and Litigation na AB InBev, mas atuou como Diretor Jurídico e Vice Presidente de Compliance na mesma companhia. Estudou na University of Michigan e na Universidade de São Paulo. 



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