05/03/2018
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ENTREVISTA: Autor do Livro Compliance Descomplicado fala do comportamento nas corporações

Por Galeria de Comunicações

Na próxima semana, na terça dia 13/03, a capital paulista sediará um encontro dedicado à discussão do Compliance, e reunirá líderes importantes da matéria no cenário atual. Os responsáveis pelo Compliance da Siemens, da EMBRAER,  da AB InBev, da Votorantim, os advogados que estão no centro dessa discussão, bem como Procuradores da Lava Jato e o Coordenador da Controladoria Geral da União, estarão todos no Maksoud Plaza para um dia intenso de debate acerca do tema. Entre os palestrantes, contaremos com a participação de Alexandre Serpa que é o Head de Compliance para a América Latina e Canadá da Allergan.  E, a partir de sua percepção sobre o Compliance nesse amplo contingente de países em que atua, ele nos conta a preocupação com a questão comportamental em seu trabalho, aliada as descobertas da tomada de decisões pela Inteligência Artificial e o quanto ganha unindo os dois conhecimentos. Para saber mais sobre o evento e participar para assistir a palestra do Alexandre, acesse: 




InteliJur - Pudemos perceber no seu livro “Compliance Descomplicado: Um Guia Simples e Direto Sobre Programas de Compliance” e em demais publicações, que você faz uma forte defesa sobre a importância da análise do comportamento humano para o melhor trabalho do Compliance. Como essa questão interfere na boa prática do Compliance e em seu respectivo sucesso na cultura corporativa?
 
Começo por lembrar que as empresas não “fazem” nada, não cometem crimes, não têm conflitos de interesses, não assediam, não compram e não vendem. Tudo isso é realizado por pessoas físicas, por seres humanos de carne, osso, vontades, conflitos, dúvidas, e que somos – apesar de crermos nos contrários – bastante irracionais (como mostra Dan Ariely, e outros, em sua obra).  No final do dia o sucesso de um programa de Compliance passa por sabermos (enquanto responsáveis pelo programa, e suas ferramentas) quais alavancas e botões devemos utilizar, e em que situações. Cada pessoa terá reações individualmente distintas para cada alavanca e botão utilizados, mas de forma geral, enquanto espécie, enquanto cultura, enquanto grupo, as respostas podem ser previstas (aqui me lembro de Isaac Asimov que, em sua série “Foundation”, fala sobre a “psico-história” que é uma ciência fictícia que pode prever as ações coletivas dos seres humanos).
 
E temos que levar isso em conta quando decidimos implementar uma política ou um controle. São coisas tão simples quanto responder à pergunta “onde é melhor colocar o termo de certificação de uma política, no começo ou no final de uma atividade?”. Em suma, o programa de Compliance tem que ter efeito real no comportamento dos humanos que compõem a empresa e, para isso, não podemos  ter uma visão simplesmente de processos e de controles. Temos que entender como as pessoas reagirão a isso.
 
 
InteliJur - Em um mundo cada vez mais sistematizado e informatizado, como aumentar a influência das áreas de conhecimento humano, como a filosofia e psicologia, na eficácia gerencial das empresas? 
 
Creio que exatamente por o mundo estar mais sistematizado e informatizado que temos mais espaço para falar de coisas mais ‘soft’, mais humanas. Temos, por exemplo, toda a discussão em torno de Inteligência Artificial (IA), que coloca em protagonismo as diferenças entre as máquinas e as pessoas, mas que, ao mesmo tempo, nos mostra as semelhanças. Ao discutir as ‘caixas pretas’ dos algoritmos de tomada de decisão baseados em IA, discutimos os viéses humanos que fazem parte dos dados utilizados pelos algoritmos para ‘aprender’ e tomar decisões. Isso, e outros temas, nos levam a parar para pensar sobre a forma que pensamos. Outro fato é que estamos utilizando tecnologia e sistemas para identificar mais, e mais rapidamente, fraudes e desvios. Assim, investimos menos tempo na identificação das fraudes e mais tempo na discussão das causas-raiz e nas ações de mitigação.
 


Alexandre Serpa - Executivo no campo de governança corporativa com 21 anos de experiência nos temas de ética e compliance, auditoria interna, gestão de riscos, controles internos e Sarbanes-Oxley; Profissional certificado em compliance (CCEP) e investigação de fraudes (CFE) por entidades internacionais; Autor de livros sobre programas de compliance e Professor convidado para cursos de educação executiva em compliance (FIA, Insper, FGV-RJ, Faculdade de Direito de Vitória e LEC). Head de Compliance para a América Latina e Canadá da Allergan


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